Recorde de pedidos de registro de marca no Brasil em 2025: o que esse movimento revela sobre estratégia empresarial e proteção de ativos
Recorde de pedidos de registro de marca no Brasil em 2025: o que esse movimento revela sobre estratégia empresarial e proteção de ativos
Introdução
O ano de 2025 marcou um dado relevante para o ambiente empresarial brasileiro: o número de pedidos de registro de marca atingiu recorde histórico, com mais de 500 mil solicitações realizadas no período. O crescimento acompanha uma transformação importante no mercado, a consolidação da marca como um dos principais ativos estratégicos das empresas.
Esse cenário reflete uma mudança de mentalidade, onde empresários passaram a compreender que nome, reputação e identidade comercial não são apenas elementos de marketing, mas ativos jurídicos e econômicos que precisam ser protegidos.
Neste artigo, analisamos o que está por trás desse aumento, o enquadramento jurídico do registro de marca no Brasil e as principais implicações práticas para empresas que desejam atuar de forma estruturada e competitiva.
O que aconteceu
De acordo com dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o Brasil registrou, em 2025, um total de 504.461 pedidos de registro de marcas, representando um crescimento de aproximadamente 7,9% em relação ao ano anterior.
O número expressivo evidencia uma tendência: cada vez mais empresas (de startups a negócios consolidados) estão buscando formalizar a proteção de seus sinais distintivos.
Esse movimento acompanha a evolução do mercado, especialmente com o avanço do digital, do e-commerce e da concorrência em escala nacional e internacional, onde a identidade da marca se torna um fator decisivo para a diferenciação.
Análise jurídica do cenário
Marca como ativo jurídico protegido
No ordenamento jurídico brasileiro, a marca é protegida pela Lei da Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/96), sendo considerada um bem incorpóreo integrante do patrimônio da empresa.
O registro junto ao INPI confere ao titular:
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Direito de uso exclusivo em todo o território nacional;
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Possibilidade de impedir terceiros de utilizar sinais semelhantes;
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Instrumentos legais para defesa da marca;
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Capacidade de licenciar ou ceder o uso do ativo.
Ou seja, a marca deixa de ser apenas um elemento de comunicação e passa a ser um ativo com valor econômico mensurável.
O crescimento dos registros e o amadurecimento do mercado
O aumento no número de pedidos de registro indica um processo de amadurecimento do ambiente empresarial brasileiro. Empresas estão deixando de tratar a marca como algo secundário e passam a incorporá-la em sua estratégia desde as fases iniciais.
Além disso, o crescimento também revela:
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Maior conscientização sobre riscos jurídicos;
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Aumento da competitividade entre empresas;
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Expansão de negócios digitais;
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Valorização de ativos intangíveis.
A lógica da anterioridade no Brasil
Um ponto central do sistema brasileiro é o princípio da anterioridade do registro. Em termos práticos, isso significa que:
O direito à marca, em regra, pertence a quem primeiro realiza o pedido de registro válido perante o INPI.
Esse fator contribui diretamente para o aumento dos pedidos. Empresas que compreendem essa dinâmica tendem a agir de forma preventiva, buscando garantir prioridade antes de expandir suas operações.
O que esse movimento revela para empresários
O recorde de registros de marca não é apenas um dado positivo, ele também sinaliza um ambiente mais competitivo e juridicamente exigente.
1. A marca passou a ser um ativo estratégico
Empresas modernas não competem apenas por preço ou produto, mas por percepção, posicionamento e reputação. A marca concentra esses elementos e, por isso, tornou-se um dos principais ativos do negócio.
2. A concorrência por nomes e identidades aumentou
Com mais de 500 mil pedidos em um único ano, o espaço disponível para nomes originais e distintivos tende a se reduzir. Isso aumenta o risco de conflitos e exige maior cuidado na criação de marcas.
3. A proteção deixou de ser opcional
Em um cenário com alto volume de registros, empresas que não protegem suas marcas ficam mais expostas a:
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Perda de direito de uso;
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Conflitos com concorrentes;
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Necessidade de rebranding;
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Limitações para expansão.
4. O timing do registro é decisivo
Quanto mais cedo a marca for registrada, maior a segurança jurídica. Empresas que deixam essa etapa para depois podem encontrar obstáculos justamente no momento de crescimento.
Riscos, cuidados e boas práticas
O aumento no número de registros traz consigo não apenas oportunidades, mas também riscos que precisam ser gerenciados.
Riscos
Empresas que não acompanham esse movimento podem enfrentar:
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indisponibilidade do nome escolhido;
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conflitos com marcas já registradas;
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necessidade de alteração de identidade após investimento;
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dificuldades em consolidar presença no mercado.
Cuidados
Para atuar de forma estratégica, é importante:
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realizar busca de anterioridade antes de definir a marca;
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avaliar não apenas nomes idênticos, mas também semelhantes;
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considerar o enquadramento correto nas classes do INPI;
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alinhar jurídico e marketing desde o início do projeto.
Boas práticas preventivas
Empresas que tratam a marca como ativo estratégico costumam adotar algumas práticas:
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registro da marca nas fases iniciais do negócio;
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proteção de versões nominativas e figurativas;
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acompanhamento de novos pedidos no mercado;
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gestão contínua do portfólio de marcas.
Essas medidas reduzem riscos e fortalecem a posição da empresa em um ambiente competitivo.
Opinião Calaza Doreto
A elevação da quantidade de processos de registro de marca em curso revela que os empresários brasileiros estão cada vez mais cuidadosos com seus ativos intelectuais. Isso reforça a percepção de valor dos ativos intangíveis (como marcas, patentes, ideias e metodologias) no mercado atual.
Para empresários, o principal aprendizado é claro: Havendo a criação de um novo produto, serviço, logomarca ou nome comercial, o ideal é priorizar a pesquisa de disponibilidade e o registro junto a uma assessoria especializada, sob pena de serem investidos elevados valores e tempo (aproximadamente 2 anos para a avaliação de um pedido de registro de marca), sem que se alcance o resultado útil desejado.
Em um mercado cada vez mais disputado, a antecipação, a organização e a proteção adequada dos ativos intangíveis se tornam diferenciais importantes para garantir sustentabilidade e competitividade no longo prazo.